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Mostrando postagens de 2018

"Acossado" (1960), de Jean-Luc Godard

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"Acossado" sempre gerou grandes debates aonde eu presenciei citações a ele em conversas gostosas sobre cinema em festas, reuniões ou papos descompromissados por aí. E sempre acho um bom exercício rever clássicos de tempos em tempos, e confirmar que sim, estes filmes realmente são clássicos e possuem grande significado para o cinema. Jean-Luc Godard, um crítico de cinema que se tornou cineasta pertencente a um grande movimento no cinema francês denominado "Nouvelle Vague", conseguiu neste seu filme de estréia amparar todo seu amor ao cinema norte-americano predecessor aos anos 60, e dentro de sua narrativa cinematográfica conceber uma verdadeira crítica cinematográfica a esta era anterior, se utilizando de personagens, diálogos, referências e técnicas, na época ainda revolucionárias, como filmar com a câmera no ombro, travellings ou os famosos "jump cuts" que só foram realmente naturalizados a partir dos anos 90. Se Michel, personagem interpretado po...

"Paraíso" (2016), de Andrei Konchalovsky

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O filme "Paraíso" se passa durante a Segunda Guerra Mundial, e é centrado em três personagens, cujos caminhos neste período se cruzam em momentos diferentes. Uma aristocrata russa imigrante na França, membra da Resistência e que cuida de duas crianças judias; um francês colaborador da Gestapo no combate à Resistência; e um jovem oficial da SS germânica, de alta patente. Narrado de forma semi-documental por estes três personagens, e apelando para a conjuntura sofrida e de alto teor emocional, Konchalovsky cria um filme com eixo autoral e uma pegada que, para alguns, claramente cola nos júris de festivais de cinema pelo tema e sua importância, mas quando se enxerga todo o contexto narrativo junto com a mensagem a ser passada, que surpreende e emociona pelos belíssimos planos finais, o filme ganha muito peso. A fotografia toda em preto e branco, mais a singela trilha instrumental que acompanha algumas passagens, agrega bastante ao clima triste que reserva sua beleza pecu...

"Dois Dias, Uma Noite" (2014), dos Irmãos Dardenne

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O filme conta a história de Sandra (Marion Cortillard), uma operária de fábrica que é demitida sob circunstância peculiar: por votação dos empregados, estes optaram por manter seus bônus salariais em detrimento ao emprego dela.  Estando ciente de que tem uma brecha para puxar outra votação no início da semana seguinte, Sandra é imbuída por amigos e pelo marid o a tentar reverter votos contrários durante o fim de semana, visitando cada colega.  Esta narrativa proposta pelos irmãos Dardenne é a inversão do tema central com o pano de fundo de toda a história: a luta de Sandra pelo seu emprego apenas é um holofote sobre a conjuntura trabalhista contemporânea na França.  Se Marion Cotillard dá show em todas as exigências dramáticas de sua protagonista, por outro lado um toque de maniqueísmo no desfecho do filme, querendo ilustrar a consciência de classe apenas nos oprimidos, soa como uma leve derrapada pro contexto todo, mas não compromete a moral da história ao ...