"Dois Dias, Uma Noite" (2014), dos Irmãos Dardenne




O filme conta a história de Sandra (Marion Cortillard), uma operária de fábrica que é demitida sob circunstância peculiar: por votação dos empregados, estes optaram por manter seus bônus salariais em detrimento ao emprego dela. Estando ciente de que tem uma brecha para puxar outra votação no início da semana seguinte, Sandra é imbuída por amigos e pelo marido a tentar reverter votos contrários durante o fim de semana, visitando cada colega. 



Esta narrativa proposta pelos irmãos Dardenne é a inversão do tema central com o pano de fundo de toda a história: a luta de Sandra pelo seu emprego apenas é um holofote sobre a conjuntura trabalhista contemporânea na França. Se Marion Cotillard dá show em todas as exigências dramáticas de sua protagonista, por outro lado um toque de maniqueísmo no desfecho do filme, querendo ilustrar a consciência de classe apenas nos oprimidos, soa como uma leve derrapada pro contexto todo, mas não compromete a moral da história ao mostrar peculiaridades de como o individualismo sobrepõe a consciência coletiva de trabalhadores, sob a falsa expectativa do êxito meritório, uma ilusão que estrangula cada um dos trabalhadores que vão aparecendo na tela. 


A ausência de trilha sonora e a câmera de mão acompanhando o processo doloroso da personagem principal indo de casa em casa pedir pela sua dignidade colaboram com o tom cru que os Dardenne desenham o tema com total acerto. Nota 8,5

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